Brasília, abril de 2019
De Vitoria, voamos para Brasilia para passar alguns dias explorando essa cidade única. Brasília é a cidade modernista que um presidente do Brasil muito interessante, visionário e carismático, Juscelino Kubitschek, quis criar do zero.
Entre muitos outros arquitetos, Lucio Costa foi selecionado por um júri para conduzir esse empreendimento monumental. Oscar Niemeyer foi o arquiteto-chefe da maioria dos edifícios públicos, Joaquim Cardozo foi o engenheiro estrutural, e Roberto Burle Marx foi o paisagista.
Brasília foi construída em apenas 4 anos, de 1956 a 1960, quando foi oficialmente inaugurada. Naquela época, o Brasil se destacava no cenário internacional em muitas áreas, da arquitetura à arte e até no esporte (venceram a Copa do Mundo de 1958 com Pelé). Tempos muito interessantes para o Brasil.
Entrando na Catedral Metropolitana (Catedral Metropolitana) de Oscar Niemeyer — as dezesseis colunas curvas de concreto se elevam como mãos em oração
A Catedral Metropolitana foi uma das primeiras coisas que visitamos. O edifício desce para o subsolo, de modo que a primeira coisa que se vê ao entrar é o teto de vitrais, sem paredes — apenas 16 colunas parabólicas de concreto armado convergindo acima de você, preenchidas inteiramente com vidro azul e verde.
O teto de vitrais da Catedral Metropolitana pela artista Marianne Peretti — tons de azul e verde inundam o interior de luz
De lá fomos ao Museu Nacional. Niemeyer projetou o edifício em 2002, seu próprio presente à cidade que ajudou a criar. É uma cúpula branca de 28 metros assentada sobre uma base circular, conectada a uma longa rampa. Lá dentro, visitamos uma exposição do escultor japonês Yutaka Toyota.
O Museu Nacional (Museu Nacional do Brasil) de Niemeyer — uma cúpula de 28 metros no Eixo Monumental
Yuka na exposição "Yutaka Toyota — O Ritmo do Espaço" no Museu Nacional
A cúpula do Museu Nacional refletida no Espelho d'Água sob dramáticas nuvens de tempestade
Ao visitar Brasilia, o simbolismo está em todo lugar. Costa utilizou um desenho em cruz que indica a posse e a conquista desse novo lugar — uma cruz que lembra uma libélula, um avião ou um pássaro. O plano da cidade inclui dois componentes principais, o Eixo Monumental (leste a oeste) e o Eixo Rodoviário (norte a sul).
O Congresso Nacional fica no extremo do Eixo Monumental, com suas duas torres ladeadas pela cúpula convexa do Senado e pela tigela côncava da Câmara dos Deputados — uma aberta para o céu, a outra invertida como se recolhesse água. Ao entardecer, refletido no longo espelho d'água, o conjunto é extraordinário.
As torres gêmeas do Congresso Nacional refletidas ao entardecer no Espelho d'Água
Close-up de uma das torres do Congresso Nacional — fachada de vidro verde encontrando o concreto
A tigela côncava da Câmara dos Deputados (Câmara dos Deputados) e a torre do Congresso
Na extremidade do Eixo Monumental fica a Praça dos Três Poderes, onde o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio Presidencial se defrontam em uma enorme esplanada. A escala foi pensada para impressionar — e impressiona mesmo.
O espelho d'água da Praça dos Três Poderes com o mastro da bandeira brasileira
Monumento em bronze recortado contra o céu de Brasília na Praça dos Três Poderes
Busto de Tiradentes (1746–1792) em frente ao Panteão da Pátria (Panteão Nacional) de Niemeyer
O Palácio do Itamaraty — o Ministério das Relações Exteriores — é um dos edifícios mais elegantes da cidade. Um longo bloco de mármore com arcadas pairando sobre um jardim aquático, com a escultura abstrata "Meteoro" de Bruno Giorgi emergindo do espelho d'água. O edifício está aberto à visitação e vale muito a pena.
O Palácio do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) com a escultura "Meteoro" de Bruno Giorgi no espelho d'água
O Palácio do Itamaraty visto do jardim aquático — fachada de mármore com arcadas refletida entre vitórias-régias
Olhando através das colunas de mármore do Palácio do Itamaraty em direção ao espelho d'água e aos edifícios do governo
Brasilia foi projetada para o trabalho. Não há praias como no Rio, e as pessoas são mais frias. É preciso carro para se locomover, há shoppings que fazem você pensar que está em uma cidade do interior americano, e não no Brasil. Não vimos muitos turistas por lá — ouvimos dizer que ninguém vai até lá para passar um fim de semana ou férias.
O setor bancário (Setor Bancário) ao longo do Eixo Monumental — torres modernistas projetadas dentro da mesma malha urbana
Na segunda noite visitamos o Santuário Dom Bosco. Essa igreja não tem pinturas nem esculturas — suas paredes são feitas inteiramente de 12.000 peças de vidro de Murano em tons de azul, criando um efeito como estar no fundo do oceano, ou sob um céu estrelado. À noite, iluminada por dentro, é inesquecível.
Interior do Santuário Dom Bosco — 12.000 peças de vidro de Murano azul brilham contra a noite
Um marcante edifício modernista com fachada de vidro curvo no distrito comercial de Brasília
Bom, fico feliz que fomos. Sabíamos quase nada sobre a história do Brasil, sobre Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, e sobre arquitetos como Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Agora sabemos. Aprender dessa forma é muito divertido.
O Panteão da Pátria Tancredo Neves e seu espelho d'água na hora dourada