Porto Seguro, maio de 2019
Segundo a crença popular, Pedro Álvares Cabral desembarcou aqui em 1500 e foi por isso que a cidade recebeu o nome de Porto Seguro. No entanto, o que é oficialmente considerado o primeiro desembarque português no Brasil é Coroa Vermelha, cerca de 16 quilômetros ao norte.
Cabral avistou terra muito provavelmente no Monte Pascoal, localizado entre Cumuruxatiba e Porto Seguro, depois navegou para o norte e passou direto por Porto Seguro porque a entrada do rio não era segura. Quando chegaram a Cabralia, que é protegida dos ventos do norte e também do sul — o que a torna um bom fundeadouro —, desembarcaram, ergueram uma cruz e celebraram uma missa para marcar a ocasião.
Ao que tudo indica, foi só três anos depois que a expedição de Gonçalvo Coelho chegou e plantou um marco no que é hoje Porto Seguro.
Cartógrafo Raymarine Axiom
A entrada em Porto Seguro é bastante complicada, pois há bancos de areia e recifes. Por sorte, encontramos um pescador na entrada que nos guiou. Fundear em Porto Seguro é ainda mais complicado porque há pouquíssimo espaço para o barco girar, as correntes são muito fortes (até 4 nós) e é preciso lançar âncoras de proa e de popa.
Foi isso que aconteceu com um barco que estava atracado na marina durante a noite:
Barco encalhado em Porto Seguro
Fundeamos bem perto do canal onde circulam essas balsas curiosas que transportam carros e passageiros de uma margem do rio à outra, já que a ponte mais próxima fica a uns 30 km de distância.
Claro que, sem nenhuma experiência em fundear em rios com corrente forte, a operação nos tomou um bom tempo. Quando terminamos, já estava escuro e eu estava exausto. É claro que, assim que entrei no chuveiro, a Marinha apareceu com sua lancha de patrulha e as luzes azul e vermelha piscando.
Eles nos informaram gentilmente sobre as formalidades e me fizeram prometer que eu compareceria à base deles no dia seguinte. Na manhã seguinte, eu e Joaquin, armados com uma grossa pilha de papéis, fomos visitar a Marinha. O responsável foi muito atencioso e tudo correu bem.
A cidade em si parece muito turística, com dezenas de bares e restaurantes. Mas, por ser baixa temporada, éramos provavelmente os únicos turistas.
Sair de Porto Seguro foi ainda mais trabalhoso: minha âncora de popa, uma Danforth de alumínio, ficou presa na lama. Por sorte, um pescador veio em meu socorro e me ajudou a recuperá-la.
Âncora enrolada em Porto Seguro
Depois, minha âncora principal ficou enroscada em uma âncora velha de pescador. Por sorte, Yuka e eu conseguimos desenredar a corrente.
Âncora de pescador em cima da minha em Porto Seguro
Agora entendemos por que a maioria dos velejadores evita Porto Seguro e prefere fundear em Santo André (cerca de 10 milhas náuticas ao norte). De lá, pegam um ônibus para visitar Porto Seguro. Simplesmente não vale o trabalho.
Viemos aqui justamente porque achávamos que este era o primeiro desembarque português no Brasil. E no fim descobrimos que não era.
Trilha GPS do S/V Oroboro — Porto Seguro, Brazil — May 2019 • Dados GPS do cartógrafo Raymarine • Mapa © OpenStreetMap contributors
Todos os fundeadouros — Porto Seguro, maio de 2019
Uma entrada de rio complicada com corrente de 4 nós, formalidades com a Marinha e um histórico centro colonial.
| Parada | Data | Observações |
|---|---|---|
| Rio Porto Seguro | Maio de 2019 | Corrente de 4 nós · âncoras de proa e popa · despacho pela Marinha · histórica cidade alta colonial |
Mapas de fundeadouros
Carta náutica ampliada do fundeadouro no rio Porto Seguro.
Rio Porto Seguro
Dados do mapa © OpenStreetMap contributors. Trilhas GPS do cartógrafo Raymarine, arquivadas em maio de 2019.