Langebaan, South Africa, December 2018
Chegou a hora de fazermos uma "vela de teste" para avaliar melhor o barco — e a nós mesmos — antes da travessia oceânica. Decidimos passar algumas noites fundeados em Langebaan, uma baía muito bonita a cerca de 65 milhas náuticas ao norte de Cape Town. Navegar de Cape Town até Langebaan é complicado: é preciso calcular bem o momento da volta, quando uma depressão traz ventos de noroeste. Caso contrário, você fica de bolina por mais de 10 horas.
Decidimos zarpar na segunda-feira, dia 3, e voltar na quinta-feira seguinte, quando uma frente era esperada. Infelizmente, na segunda-feira não tivemos os ventos de sudeste previstos. O vento estava muito fraco e a ondulação era muito grande, então tivemos que navegar a motor o caminho todo.
E depois de todos esses anos velejando, eu "entrei para o clube". É isso mesmo: fiquei enjoado. Pela primeira vez na vida. Foi horrível. Enjoo de mar é pior do que pegar um resfriado com febre. Quando você está enjoado, simplesmente não consegue funcionar. Nem pensar direito.
Se serve de consolo, depois de vomitar me recuperei bem rápido. Mas ainda assim, é algo que preciso aprender a administrar. Tentamos içar o spinnaker à tarde, com 8 nós de vento, mas a ondulação era tão grande que nos freava e o spinnaker não conseguia abrir. Tivemos que arriar. E foi exatamente nesse momento que o enjoo me pegou, depois de trabalhar na rede recolhendo o spinnaker de volta para o saco. O único ponto positivo da navegação para o norte foi que vimos incontáveis baleias.
Assim que entramos na baía, tudo mudou. Fomos até Kraalbaai, fundeamos e relaxamos. O fundeadouro era lindo e éramos o único barco lá.




Na manhã seguinte, levamos o bote inflável até a praia e fizemos uma linda caminhada. Havia apenas algumas casas de temporada na praia, ainda desertas porque o período de férias ainda não havia começado. Quando voltamos ao bote, para nossa surpresa, encontramos uma grande placa ao lado dele dizendo "Propriedade Privada. Proibido Entrar".
Quando desembarcamos na praia, lembramos de ter visto aquela placa no meio dos arbustos, perto de uma casa. Então, enquanto caminhávamos, alguém deve ter retirado a placa dos arbustos e fincado na areia bem na frente do nosso bote.
Decidimos então voltar para o barco e começar a preparar o almoço. Pouco depois, um bote com um casal de crianças com varas de pesca se aproximou. Eles disseram que os pais os mandaram até nós para se desculpar por ter colocado aquela placa de Propriedade Privada na frente do nosso bote na praia — "acharam que foi uma grosseria".
E como pedido de desculpas, nos deram todo o peixe que haviam pescado, já limpo e pronto para cozinhar. Almoçamos muito bem! Deveríamos invadir propriedades privadas com mais frequência na África do Sul, se a punição é peixe fresquinho!
Peixe fresco pescado em Langebaan
No dia seguinte, decidimos nos mudar para Mikonos, um pequeno resort turístico que lembra vagamente uma aldeia grega, mais ao norte em Langebaan. Yuka tentou ligar o motor e o alarme disparou, o ícone de bateria no painel do motor acendeu e o conta-rotações começou a oscilar. O motor em si ligou e parecia estar bem. Começamos a diagnosticar o problema e percebemos que o carregador de bateria Sterling havia parado de funcionar. Haveria uma forma de contorná-lo? Não sabíamos. Por sorte, tínhamos sinal de celular e conseguimos falar com o eletricista que instalou o sistema, que nos ensinou como fazer o bypass. Feito isso, o problema foi resolvido. Bem, ainda precisávamos entender por que o Sterling havia falhado, mas pelo menos podíamos usar o motor de novo. Resolveríamos o problema ao voltar a Cape Town.
Fomos até Mikonos, mas a ondulação de noroeste era forte demais para fundear, então decidimos atracar na marina. Depois de amarrar, alguns berços adiante do nosso, notamos um barco lindo, um Shearwater 39. Igual ao construído pelo meu amigo sul-africano Allan. Foi por causa dele que decidimos começar nossa aventura pela África do Sul. Teríamos perdido tanto de outra forma.

A navegação de volta a Cape Town foi magnífica. Desta vez calculamos tudo certinho: os ventos de noroeste chegaram como esperado e foi uma navegação em popa o tempo todo, com o spinnaker. Ahhh! Que diferença! Velejar com o spinnaker me dá uma sensação parecida com a de fazer kitesurf. E a Capitã parecia mais feliz também!



No geral, tudo correu bem. De volta a Cape Town, consertamos o Sterling e agora podemos dizer que estamos prontos para a travessia. O barco está pronto. Nós estamos prontos. A data de partida de Cape Town foi definida: domingo, 16 de dezembro.
Namibia, lá vamos nós!!!
S/V Oroboro GPS track — Langebaan, South Africa — Dec 2018 • GPS data from Raymarine chartplotter • Map © OpenStreetMap contributors
Todos os fundeadouros — Langebaan, Dec 2018
Vela de teste de 65mn saindo de Cape Town para testar o Oroboro antes da travessia oceânica.
| Parada | Data | Observações |
|---|---|---|
| Kraalbaai | Dec 3–4 2018 | Fundeio · único barco na baía · presente de peixe fresco dos vizinhos |
| Mikonos Marina | Dec 4–5 2018 | Bypass do carregador de bateria Sterling · vizinho com Shearwater 39 |
Mapas dos fundeadouros
Carta náutica ampliada do fundeadouro de Kraalbaai na Lagoa de Langebaan.
Kraalbaai — Langebaan Lagoon
Dados do mapa © OpenStreetMap contributors. Trilhas GPS do chartplotter Raymarine, arquivadas em dezembro de 2018.