Ilha Grande, Brasil, março de 2019
Após navegar 4.387 milhas náuticas e passar 35 dias no mar, Oroboro fundeou com segurança em Ilha Grande, Brasil, no dia 1º de fevereiro de 2019.
Me senti como os primeiros exploradores, e pensei em batizar a baía de "Baía de Fevereiro" (assim como Rio de Janeiro ganhou esse nome por ter sido descoberto no dia 1º de janeiro). Eu sei… pensamentos bobos.
A Baía de Ilha Grande é simplesmente espetacular, com 365 ilhas e 2.000 praias de areia branca. Às vezes me sinto como se estivesse num lago na Itália, como o Lago de Como. Só que em vez disso, o lago é cercado por uma exuberante floresta tropical.
Chegando ao Brasil
Trilha GPS do S/V Oroboro — Ilha Grande & Paraty — fevereiro–abril de 2019 • Dados GPS do cartógrafo Raymarine • Mapa © OpenStreetMap contributors
O que torna o Brasil verdadeiramente especial é o seu povo. O som da língua, a gentileza e os sorrisos! Nos viramos bem com nosso Portunhol (mistura de espanhol com português), já que pouquíssimas pessoas falam inglês. O engraçado é que, quando dizem algo que eu não entendo, viram para Yuka pedindo que ela traduza para mim. Com seu corpo bronzeado e sorriso radiante, ela frequentemente é confundida com brasileira.
Fizemos o despacho em Angra dos Reis, assim chamada por ter sido descoberta no dia 6 de janeiro:
Angra dos Reis
Em seguida, fomos para Paraty, uma das talvez 2 cidades mais bem preservadas do Brasil que conheço (a outra sendo Ouro Preto).
Que cidade!
Paraty significa "rio de peixes" na língua Tupi. Foi fundada pelos portugueses em 1667 e, quando o ouro foi descoberto nas montanhas de Minas Gerais e o "Caminho do Ouro" ligando a cidade a Ouro Preto foi construído, ela se tornou o principal porto de exportação de ouro para Rio de Janeiro.
Desde então, Paraty ficou à margem do caminho principal, razão pela qual não mudou por séculos, até que uma estrada asfaltada foi construída de Rio de Janeiro a Santos nos anos 1970. A partir daí, de pequena aldeia de pescadores quase abandonada, Paraty se tornou um destino turístico.
O centro histórico é calçado com grandes pedras e é exclusivamente para pedestres. Durante as marés de sizígia, o nível da água do mar sobe e inunda as ruas por pequenas aberturas nas muralhas que separam a cidade do porto. As ruas ficam alagadas por pouco tempo, e alguns comerciantes colocam tábuas para fazer uma passarela em benefício dos pedestres. Igualzinho a Veneza!
A cidade é cheia de cafés, restaurantes, pousadas e boutiques charmosas. À noite, fica muito animada, com música ao vivo em quase todos os restaurantes e cafés. Bossa nova e samba, claro! Há também uma destilaria de cachaça, parada obrigatória para todo mundo. A comida é simplesmente fantástica, sendo a Moqueca o nosso prato favorito até agora.
Adoramos essa cidadezinha e decidimos torná-la nossa Base de Operações. Daqui, podemos navegar até incontáveis fundeadouros isolados e praias desertas, tanto no continente quanto em Ilha Grande, um dos ecossistemas mais preservados e ricos do mundo.
É um ótimo campo de cruzeiro, e estamos aproveitando muito. Especialmente a Almirante:
Cozinha do Oroboro
Todos os fundeadouros — Ilha Grande & Paraty, fevereiro–abril de 2019
Ficamos nessa região por quase três meses, tornando-a nossa base de cruzeiro antes de seguir rumo ao norte, em direção a Rio de Janeiro, Búzios e, eventualmente, 4.000 milhas náuticas de litoral brasileiro. Abaixo está o registro completo de cada parada, com detalhes de cada fundeadouro no mapa GPS.
| Parada | Data | Observações |
|---|---|---|
| Baía de Ilha Grande | 1º fev. 2019 | Landfall após 35 dias e 4.387mn a partir de Cape Town |
| Angra dos Reis | 2 fev. | Despacho alfandegário |
| Sítio Forte (Ilha Grande) | Início de fev. | Primeiro fundeadouro; Thelma chamou no VHF oferecendo lasanha de peixe |
| Abraão (Ilha Grande) | Fev. | Único vilarejo da ilha; sem carros, sem estradas |
| Praia dos Meros (Ilha Grande) | Fev.–mar. | A noite do cantor de ópera |
| Mamanguá | Fev.–mar. | Fiorde tropical, 8 km de extensão |
| Saco do Céu | Fev.–mar. | “Bolsa do Céu” |
| Enseada das Estrelas | Fev.–mar. | “Baía das Estrelas” |
| Paraty | Fev.–abr. | Base por 2 meses; ruas de paralelepípedo alagam nas marés de sizígia (como Veneza) |
| Praia do Sobrado (perto de Ubatuba) | ~7 abr. | Parada de uma noite; lindo arco-íris |
| Ubatuba | 8 abr. | Cruzamos o Trópico de Capricórnio a pé |
| Ilha Anchieta | Abr. | O Alcatraz brasileiro; prisioneiros japoneses na 2ª Guerra; lindo fundeadouro de praia |
| Ilhote de Couves | Abr. | Abrigo da tempestade; 26 nós; aguardando frente fria |
| Rio de Janeiro — Marina de Glória | Mar.–abr. | 2 semanas; Carnaval; conhecemos Alex Thomson (Hugo Boss IMOCA) |
| Cabo Frio | Abr. | Entrada pela passagem do Boqueirão |
| Praia do Forno | Abr. | Região de Cabo Frio |
| Búzios — Praia dos Ossos | Abr. | Estátua de Brigitte Bardot; curso de mergulho PADI de Yuka |
Mapas dos fundeadouros
Cada fundeadouro em detalhe — trilha GPS do nosso cartógrafo Raymarine sobreposta ao OpenStreetMap.
Angra dos Reis — despacho alfandegário
Sítio Forte, Ilha Grande — primeiro fundeadouro no Brasil
Abraão, Ilha Grande — o único vilarejo, sem carros
Praia dos Meros — a noite do cantor de ópera
Mamanguá — fiorde tropical, 8 km de extensão
Saco do Céu — “Bolsa do Céu”
Enseada das Estrelas — “Baía das Estrelas”
Paraty — nossa base por dois meses
Praia do Sobrado — parada de uma noite ao sul de Ubatuba
Ubatuba — Trópico de Capricórnio; Ilha Anchieta nas proximidades
Ilha Anchieta — o Alcatraz brasileiro; lindo fundeadouro de praia
Ilhote de Couves — abrigo da tempestade, 26 nós
Rio de Janeiro, Marina de Glória — Carnaval & Alex Thomson
Cabo Frio — via passagem do Boqueirão
Praia do Forno, região de Cabo Frio
Búzios, Praia dos Ossos — Brigitte Bardot & curso de mergulho PADI
Dados cartográficos © OpenStreetMap contributors. Trilhas GPS do cartógrafo Raymarine, arquivadas em maio de 2019.
Mais novidades sobre Ilha Grande nas próximas postagens. Fique ligado!