Ouro Preto, abril de 2019
Durante nossa estadia no Rio, para dar uma pausa no carnaval com nossos amigos Joaquin e Monica, decidimos alugar um carro e visitar Petrópolis. A visita me interessava porque li que o pioneiro da aviação Santos Dumont era de lá. Petrópolis fica a apenas algumas horas do Rio, seria só um passeio de um dia.
Mal sabíamos nós... que aquilo seria apenas o começo de uma viagem bem mais interessante e longa. Bom, de certa forma percebi que Joaquin tinha algo em mente quando me pediu para não esquecer de levar nossos passaportes...
Chegamos a Petrópolis cedo pela manhã e passamos um dia agradável visitando o Palácio Imperial e aprendendo um pouco sobre a história deste grande país.
Depois visitamos a casa de Santos Dumont, muito interessante do ponto de vista arquitetônico. À primeira vista, parece um chalé em estilo alpino, mas quando se olha os detalhes encontram-se muitas invenções curiosas, como a escada: cada degrau tem espaço apenas para um pé. Assim, na escada externa só se pode começar a subir com a perna direita, enquanto na interna sobe-se primeiro com a perna esquerda. O chuveiro aquecido a álcool também era um detalhe bem interessante. Curiosamente, a casa não tem cozinha. Isso significa que Dumont talvez nunca tenha comido em casa...
Durante o almoço, discutimos uma mudança de planos: e se fôssemos até Ouro Preto? Por que não! Eram umas cinco horas de estrada cheia de buracos, feita mais para uma moto off-road do que para um carro... mas como poderíamos nos revezar ao volante, não parecia tão ruim assim.
Ouro Preto é uma joia! Me lembra muito Noto, na Sicília. Igrejas sem fim! Se ao menos houvesse uma sorveteria de granita como o famoso Café Sicilia, seria uma cidade-irmã perfeita!
A cidade é fascinante e carregada de história. Dá para sentir a riqueza que veio da mineração do ouro.
Em 1789, justamente quando a revolução eclodiu na França, formou-se em Ouro Preto um movimento separatista chamado Inconfidência Mineira, com o objetivo de conquistar a independência de Portugal. O movimento foi inspirado pela Revolução Americana. O principal líder do movimento, Tiradentes, infelizmente foi enforcado na praça principal da cidade.
A cidade está no coração da Corrida do Ouro brasileira, que começou na década de 1690. Há minas de ouro espalhadas por toda a região, muitas delas abertas à visitação.
Oficialmente, 800 toneladas de ouro foram enviadas a Portugal no século XVIII. O ouro era extraído por escravos africanos. O Brasil foi o último país do mundo ocidental a abolir a escravidão. Quando foi finalmente abolida, após anos de campanha do Imperador Pedro II, em 1888, estima-se que quatro milhões de escravos tinham sido trazidos da África para o Brasil — 40% do total de escravizados levados às Américas.
Esse é o lado sombrio de Ouro Preto. A cidade foi originalmente chamada de Vila Rica e em algum momento passou a se chamar Ouro Preto. Junto com Paraty, Ouro Preto é a cidade mais bem preservada do Brasil que conheço. Vale muito a pena visitar.