Ilha do Goio, Bahia de Todos os Santos — 4 de julho de 2019
A poucos quilômetros ao sul do bar da vila do dia anterior, a orla esconde um segredo notável: uma nascente de água doce que brota de uma fenda em um penhasco de arenito bem à beira d'água. A Bahia de Todos os Santos assenta sobre vastos aquíferos artesianos; a pressão do planalto interiorano força a água doce para cima através das fissuras na rocha, e aqui na Ilha do Goio o resultado é uma cascata fresca que corre diretamente sobre a praia. Em tempos coloniais, os navios paravam aqui para reabastecer seus barris de água antes das travessias oceânicas rumo ao norte, a Portugal, ou a leste, à África.
Desembarcamos pelo bote e Yuka imediatamente se apoderou da nascente como seu chuveiro particular. O arenito vermelho e ocre está polido por séculos de água corrente, sua superfície coberta pelas iniciais riscadas de todos que descobriram este lugar antes de nós. Não fomos os primeiros, mas talvez tenhamos sido os mais felizes ao encontrá-lo.
Era Quatro de Julho. A combinação de uma nascente de água doce escondida na natureza brasileira com um feriado nacional pedia uma celebração. Enfeitamos o bote com pequenas bandeiras estreladas, fundeamos o Oroboro em frente à praia da ilha e brindamos com caipirinhas no cockpit, contemplando a baía. Dois catamarãs fundeados lado a lado diante de uma praia de areia branca sob nuvens cúmulos dramáticas: não é uma forma nada ruim de celebrar a independência americana.
Yuka no olho d'água artesiano — que jorra do penhasco de arenito na linha d'água
Oroboro e o catamarã de um amigo fundeados em frente à Ilha do Goio — um fundeadouro perfeito para o Quatro de Julho
Celebrando a independência americana no meio do Brasil — Stars and Stripes hasteadas no bote